Thousand Dollar Bill

Como perito no assunto, seguem dicas para fechar a mão e economizar seu rico dinheirinho:

Normalmente para não se gastar ou sair comprando sem necessidade deve se seguir uma certa análise prévia:
1. Eu tenho dinheiro para comprar isso sem prejudicar meu orçamento?
2. Eu preciso disso?
3. Essa é a coisa mais urgente a ser comprada?

Mas como, mesmo respondendo NÃO às três perguntas acima, certas pessoas (leia-se mu-lhe-res) acabam abrindo a carteira e deslizando o cartão magnético, seguem as dicas valorosas de quem sabe economizar:

1. Namore.
Namore muito o que você pretende comprar. Vá ver todo dia, pegue na mão, ponha pra funcionar, vista, mexa, abra, vire e revire. Volte no outro dia e faça tudo de novo e mais um pouco. Repita isso por três semanas no mínimo. Só assim você descobrirá todos os defeitos, falhas e deficiências do produto. E, como todo namoro um dia enjoa (maldade, hein?), voilá, você desiste da idéia.

2. Traia.
Procure o mesmo produto em várias outras lojas. A princípio parece a busca por melhores preços e condições, mas na verdade, em outras lojas, vitrines e com outros vendedores você verá novos ângulos, novas luzes sobre a coisa, novos cheiros, novos sons, etc. Aproveite para procurar por todos os similares de outras marcas e suas vantagens. Vai chegar uma hora que a vantagem de um não compensa o preço do outro e vice-versa, e você acaba não levando po$%@ nenhuma!

3. Fofoque.
Adianta ter e não contar pra ninguém? Antes de comprar, conte suas intenções para o maior número de pessoas. E aqueles amigos do peito, então? Devem ser os primeiros!
Eles porão defeitos até se você estiver comprando um quadro de Reimbrant. Outra, se for um amigão mesmo, ele vai comprar antes de você só de sacanagem. Você vai querer comprar depois dele(a)? Nem a pau! E mais, se aquele babaca comprou é porque o produto é uma droga que somente quem tem um péssimo gosto poderia adquirir. Se o que você ia comprar era caro então? Contar pra todos vai levantar a cobiça, e você se acanhará só pra voltar a se passar por pobre e evitar o olho-gordo do vizinho.
“Desistiu?”
“É, num tinha grana, sabe?”

4. Escreva.
Faça todo tipo de cálculo. Mas escreva. Calculadoras são efêmeras! Rabisque, de preferência na agenda, no meio da prova de Calculo Numérico, no caderno de amigas, na toalha da mesa, no quadro branco de uma reunião, no flip-chart da sala do chefe… Calcule e recalcule as prestações, as diferenças de preço de uma loja para outra, aquele número enooorme do valor à vista, os juros cobrados, imagine um preço de custo infinitamente pequeno, etc. Escreva com todos os requintes da língua padrão: R$ 1.880,45 ficará por extenso: hum mil, oitooooceeentoos e oitenta reaaais e quarenta e cinco centavos. Preencha papéis como se fossem folhas de cheque. Repita o processo se for mais de uma prestação. Imagine os canhotos, todos com as pontas dobradas. Você vai ODIAR aqueles números todos, aqueles símbolos, zeros evírgulas sem sentimento! Para odiar o produto é um pulo!

5. Charme
Não tem jeito, você está decidido a comprar aquela mer#%! OK! Vá decidido até a loja e já se imagine com ele, ela, eles, sei lá! Não invente desculpas, não desista!! Você vai comprar e acabou, car@%$!!! É seu. Fale com o vendedor, acerte condições, entregas, cor, modelo, tensão (voltagem e amperagem é coisa de caipira), acessórios, tudo. E quando o vendedor disser:
“Como vai ser o pagamento?”
Saia com a clássica:
“OK, eu vou levar. Só vou ali sacar o dinheiro e já volto.”
E tome o rumo de casa. Ou ainda:
“Olha, eu vou levar… mas não hoje. Amanhã (ou ‘depois de amanhã’, ‘fim-de-semana’, ‘mês-que-vêm’, etc) eu volto e levo exatamente esse.”
Faça isso com muita convicção. Você VAI voltar!! Vá pra casa com a sensação que você comprou. Não pense em mais nada além do fruto de sua compra. Durma logo e pensando em como você foi sábio em comprar, as vantagens que aquilo trará de agora em diante, como você foi inteligente, como é bom o produto, como você precisava dele, o que seus amigos pensarão quando o virem com ele, como foi bem gasta toda aquela grana… Acorde no outro dia e lembre-se no primeiro segundo que, na verdade, você NÃO trouxe nada da loja. Você vai dar graças a Deus por não ter comprado aquela bos#@ inútil!!! Ressaca. Da mesma forma que seu intestino só se lembra de funcionar de manhã no meio do banho (ou depois dele), a razão demora um pouco para sair do seu bolso e chegar no seu cérebro.